quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Um Romance Inacabado

Olá amigos, eu me chamo Valker, sou escritor, possuo alguns livros de romance publicados.
Talvez você nunca tenha ouvido falar de mim, ou de alguma de minhas obras, mas creio de depois de hoje você nunca mais irá esquecer.
Nunca tive muito sucesso com meus livros. Na verdade, pouquíssimos foram vendidos, sou um escritor falido, amante de uma boa história de amor.
O que vocês irão presenciar agora, aconteceu não a muito tempo.
Eu, minha esposa e meus quatro filhos aviamos acabado de nos mudar para nossa mais nova residência. Eu procurava inspiração para um novo romance.
A casa era grande, haviam quatro quartos, aonde um era de minha esposa e eu, um de dois dos nossos filhos e outro dos outros dois, o que fazia com que sobrasse um quarto vago na casa.
Tínhamos uma sala enorme e uma cozinha bem grande também.
Muito espaço para as crianças brincarem pela casa.
O quarto vago então, começo a utilizar para o meu trabalho, e foi exatamente nesse quarto aonde tudo começou.
Deixo tudo organizado no quarto para que eu possa escrever tranquilamente, aguardando minha inspiração surgir. Mas ela não chega.
Levanto-me, pego uma dose de uísque e sento novamente em frente aos papéis, tomo a caneta em minhas mãos, fixo os meus olhos no papel, tomo um gole do uísque e nada, nenhuma ideia se quer do que escrever ali, naquela hora.
Um sono profundo começa a querer tomar conta de mim, não consigo ficar mais com os meus olhos abertos, olho para o copo de uísque em minhas mãos, sinto uma tontura e nesse momento eu caio.
Fiquei ali desmaiado não sei direito por quanto tempo, mas quando acordei, estava tudo revirado no quarto, todos os papéis no chão, cadeira e mesa virados, penso logo que deve ter sido eu mesmo que fiz ao cair.
Me levanto ainda meio que tonto, mas aos poucos vou rebuscando a consciência e começo a arrumar toda aquela bagunça e ali vejo algo que me deixa confuso, um dos papéis que estavam no chão estava completamente escrito com alguma coisa, uma letra puro garrancho, não era a minha letra, tomo o papel em minhas mãos e começo a ler.
A cada linha lida eu me apaixonava mais ainda pelo o que estava escrito. Se tratava de uma história de amor, um casal contemporâneo e que viviam numa casa muito parecida com essa em que estamos agora e ao terminar a leitura, fiquei curioso em saber a continuidade, aonde aquela história iria parar, pois bem, mas não tinha continuação, era apenas aquela folha e mais nada. Mas quem escreveu, já que eu estava desmaiado no chão?
Será que já estava ali antes de eu me sentar?
São tantas perguntas agora em minha cabeça e nenhuma resposta.
No dia seguinte volto ao quarto para tentar escrever algo, mas nada vem, e no outro também e no outro. Nada. Nem uma linha escrita. Nada.
Em uma certa noite, estava eu sentado, como sempre faço, papéis na mesa, caneta em mãos, por horas sem nada surgir em minha mente.
Naquele momento começo a sentir um frio naquele quarto, que me arrepia dos pés a cabeça, e do meu lado sinto a presença de uma mulher, me viro e vejo, ela era linda, brilhava tão forte quanto a luz do Sol, mas não ardia meus olhos, eu a via nitidamente e eu eufórico com sua aparição, coração acelerado com sua presença, vestida de cetim.
E vendo aquela mulher em minha frente, percebo que aquela história, naquele papel, se referia a ela, e agora tenho certeza de quem era.
Era a morte, contando seu lindo romance com a vida, um romance que será eternamente inacabado.

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