sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O Robinier

Era meados dos anos de 1880.
Em alguma cidade do Sul de algum país do mundo, não se sabe direito a localização, mas isso pouco importa.
O que importa de fato, é que nessa pequena cidade havia um casal.
Um casal, jovem e romântico, como tantos outros que existiam naquela época e principalmente nessa cidade.
Todos ali que viviam eram muito felizes, não havia nenhum tipo de violência, bandidos, assaltos, assassinatos ou coisa do tipo, apesar de que mesmo assim, ali existisse um xerife.
Esse casal se conheceu ainda quando crianças, e foram crescendo juntos, dividindo toda a vida um com o outro, exatamente nasceram um para o outro, eram perfeitos, felizes, apaixonados.
O tempo foi se passando e aconteceu aquilo que estava mais do que óbvio. Eles se casaram. E como todo casamento jurou serem felizes e fieis um ao outro até que a morte os separa.
Mas e se por ventura, nem a morte separar? E se mesmo depois de uma “despedida eterna”, continuarem juntos? Enfim.
Todos os dias eles passeavam pela praça central, aonde havia muitas árvores, flores e pássaros cantavam, eles sentavam em baixo da mesma árvore e ali ficavam namorando, sorrindo, cantando e imitando os sons de alguns pássaros.
Mas infelizmente, ao chegar o inverno ela fica muito doente e ali se iniciava uma luta diária para a sua vida.
Ela de cama, ele procurando os melhores médicos da região e até mesmo de outros países para conseguir salvar a vida de sua amada. Tudo em vão, nenhum médico conseguia descobrir o que a tão bela moça tinha e nada poderia ser feito para salvá-la. Tomando alguns antibióticos para baixar a febre, mas nada adiantava.
A situação e saúde pioravam a cada dia, o rapaz triste com toda a situação, continuava a sua rotina mesmo sem sua amada. Passeava pela praça central, sentava em baixo da mesma árvore, cantava e imitava os sons dos pássaros, apenas não sorria, mas fazia sempre a mesma coisa de quando ela estava ao seu lado, após fazer isso, ele partia para a casa e ficava cuidando de sua amada.
Em uma certa tarde de Sol, depois de ter feito a mesma rotina de sempre, ele vá cuidar de seu amor e quando chega em sua casa e vá de encontro com ela, ele percebe que ela está muito quieta, uma pele já um tanto quanto gelada, sem respiração, sem pulso, sem a companheira que tanto ama. Ao lado da cama se encontra um papel meio que amassado, dobrado, ele o pega e lê o que está escrito:
“-Meu tão querido e doce amor, sinto que chegou a minha hora, não sofra por mim, eu amo você e sempre estarei contigo no nosso cantinho!!!!!!”
Depois de ter feito a leitura, ele não se agüenta e começa a chorar triste, perdeu o chão, perdeu seu amor.
Dias se passaram, e ele continuava de luto pela perda de sua amada, até que enfim ele decide continuar a sua rotina, fazendo sempre as  mesmas coisas que sempre fez ao lado dela.
Passeava pela praça central, sentava em baixo da mesma árvore, cantava e imitava os sons dos pássaros. Todos os dias a mesma coisa.
Mas um dia ele começa a perceber algo diferente embaixo dessa árvore, uma paz, uma luz, uma felicidade, uma presença e quando ele se levanta e olha para a árvore, percebe que vê o rosto de sua amada agora falecida, folhas balançam, um vento leve começa a circular ao redor dele, um suspiro e ele ouve algo como se fosse um canto de um pássaro, mas não era, era na verdade como ela imitava os pássaros, se assusta com tal fenômeno e sai disparado, assustado.
No outro dia ele volta para o mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas de sua rotina, senta embaixo da árvore e começa a cantarolar e é correspondido, flores nascem em volta da árvore, o cheiro do perfume que ela usava, o mesmo perfume.
“-Obrigado meu amor, por não me abandonar!!!” –diz o rapaz dessa vez feliz.
Pequenas folhas e gravetos começam a cair da árvore, formando algo no chão.
Quando ele se levanta percebe que tem algo escrito e ele lê:
“-Nem a morte nos separa. Eu te amo.”


sábado, 21 de outubro de 2017

Filha do Mal

Ser do mal e ser tão diferente
Beleza indiscutível
Conhecida por acaso, ao acaso
Numa noite estranha de Setembro ela surgiu
Surgiu de uma forma inesperada
Com os dois pés na porta dizendo: - Cheguei, cheguei e me vejam.
E eu a vi.

Eu a vi de uma forma que, acredito que ninguém ali mais viu.
Ela parece sozinha,
Ela parece tão triste
Mas se denomina do mal.

Algo nela me encantou
Chamou-me a atenção de uma forma
Que eu fosse atrás,
Fosse perguntar quem ela era
De onde ela veio, o que ela faz
Pra onde ela vai?
E ela simplesmente dizia que era do mal

Diz possuir uma coleção de corações
Que já arrancou por ai
E diz que irá arrancar o meu também.
E eu no balanço da conversa,
Permito que arranque o meu coração também.

Ela não diz absolutamente nada
Apenas sorri
Com tal acontecimento
Ela se diz sozinha, antissocial
E eu ali, tentando buscar algum conhecimento
Mas diz ser do mal.

Eu já nem sei mais o que é realidade ou ilusão
O que é bom ou ruim
o que é felicidade ou tristeza
Se é dia ou noite
Quando percebo
Aqui já estou eu novamente

Ela se diz ser insana
Mas quem não tem um pouco de insanidade?
Eu também tenho, eu também sou insano.
Mas ela diz ser do mal.
Um jeito fofo, diferente.

Mas do mal!


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O Tempo

O tempo passa
O tempo para
Todas as formas de se passar
O tempo.

Um dia
Bom dia, boa tarde, boa noite
Uma semana
Conversando sobre coisas aleatórias
Um mês
O tempo.

Cantando, sorrindo
conversando, amando.
O tempo

Conhecendo mais a cada dia
me entregando mais a cada conversa
Amando mais o tempo.

Amiga, confidente,
amante sorridente.

Se passa um mês
O tempo passou
estamos cada vez mais juntos
Mais felizes e completos
Graças ao tempo.

Tantas alegrias vindas com o tempo
Tantas tristezas esquecidas no tempo
Passar a vida ao seu lado com o tempo
Ao seu lado só gostaria que parasse o tempo.

Te conhecer foi questão de tempo
Me apaixonar, foi questão de tempo
Comemorar um mês de alegrias não é perca de tempo
Já cansei de perder tanto tempo.

sábado, 14 de outubro de 2017

Escuridão

No final das sombras há um vale
Um vale escuro
Um vale sombrio
Vazio, morto
Um lago negro
Árvores mortas que produzem frutos podres
Um cheiro forte, o qual entra pelo nariz
Percorre por todo o corpo
Ocupa o cérebro dando uma leve e incômoda tontura
Mas ainda há um vale
Sem sinal de vida alguma
Só aquela pura e imensa escuridão
Um vento aqui, outro assovio ali
Mas sem vida
Mas ainda há um vale
No final das sombras.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Barulho

Uma explosão inesperada
Uma explosão programada
Gritos por todos os lados
Berros por todos os cantos
Barulho.

O telefone que chama
Na cama a mulher que ama
O telefone que não para de tocar
A mulher que não para de gritar
Barulho.

Na rua só se ouve buzinas
O choro daquela menina
Os cachorros que não param de latir
Sorridentes as pessoas tentam iludir
Barulho


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Você

Incrivelmente você,
você me apareceu como um botão de uma flor.
A flor mais bela,
a flor mais cheirosa.
Meu girassol,
me sinto o Sol.
Você.
Difícil de explicar,
tão simples de sentir
sua presença,
seu canto,
seu sorriso,
seu encanto.
Você.
Estarei lhe protegendo,
te cuidando,
te regando,
te amando.
Ciclo novo é esse
com novos projetos,
novos ideias.
Devora-me,
sinta-me,
Deseja-me.
Oh, minha tão doce e faminta loba.
Tudo isso tem um siginificado
e é
Incrivelmente você!!!


domingo, 1 de outubro de 2017

Liberdade

Livre.
Não sei se essa é a palavra certa.
Livre.
Não me sinto mais preso nas correntes
Naqueles sentimentos, em você, em mim.
Livre.
Estou num lugar aonde eu não gostaria de estar.
Não estou aonde eu gostaria de estar.
Não estou no trabalho rotineiro.
Não estou na vida.
Mas livre.
Livre de você.
Livre de mim.
Liberdade nos ideais.
Liberdade nas pernas.
Liberdade nos pensamentos.
Livre.