sábado, 30 de junho de 2018

A Companheira Noturna


Sinto-me só
Da forma em que já estou
Acostumando-me a ficar.
Lembranças de momentos que tivemos
Momentos que sempre estarão junto a mim.
Nossa carne distante
Nossa alma tão próxima que chega a ser até
Impossível
Fora de qualquer realidade
Sensação única
Passa o dia
A noite chega sorrateira
Tomo um gole de uma bebida qualquer
A insônia insiste em me fazer companhia
E aquela mesma vontade de sempre
Ouço uma música qualquer,
Mas logo me perco em meus pensamentos
E já estou com você novamente.
Já é de madrugada
Duas ou três da manhã
Você me aparece por entre a neblina
Que cobre toda a rua.
Somente a luz do poste iluminando
Fazendo-me enxergar o seu corpo
Caminhando em minha direção.
Como não reconhecer-te?
A tão sonhada e desejada mulher.
Aquela que tanto esteve comigo
Aquele cheiro,
Aqueles lábios que tanto  me atrai.
Você vem pra mim.
Aparece-me em minha vida
Me conquista, me seduz
Não consigo pensar em mais nada nessa noite
Que por um momento era tão fria e solitária
E agora tão quente, ardente
Me toca, me abraça e me beija
Não quero mais nada por essa noite
A não ser desejar seu corpo no meu
Seu calor, seu gosto.
Me seduz eterna companheira
Me sinto um cordeiro
Entre suas presas de loba faminta.
Nos saciamos de nossas carnes
O dia vai amanhecendo
E você logo estará distante de mim novamente
Mas eu,
Eu ficarei aqui
Com a minha companheira insônia
Aguardando por você novamente
Esperando por outra noite
Em que eu lhe terei
Como minha companheira noturna
Entre urros e sussurros
Guardo-lhe nos meus pensamentos
Mais sórdidos.

domingo, 17 de junho de 2018

O Andante

Os pés estão só bolhas
Na testa o suor escorre
O Sol sobre a cabeça
Um calor escaldante.

Os lábios rachados
Ardem e sangram
Sem rumo
Sem destino.

Necessidade apenas
De continuar a seguir
Sem se importar
Aonde isso tudo irá terminar.

Já não se houve
Não se sente
Talvez
por tanto sentir.

A estrada esburacada
Lembra a pele em seu rosto.
Em busca de alguma felicidade.
Algum outro sentimento.
...existem tantos.

A luta ainda continua
Assim como seu caminhar rasteiro.

domingo, 10 de junho de 2018

Tudo é Nada

Todos têm suas próprias razões
Soluções, decisões.
Todos buscam suas próprias emoções, conclusões.
Uma vasta imensidão de sentimentos
Um enorme turbilhão de tormentos
Coisas que não devem estar ali
Ou aqui
Transborda a cabeça em chamas
Como se fosse um vulcão em erupção
Um tsunami de lágrimas.
Um tornado de indecisões.
Um corpo em queda livre
Preso em seus próprios braços
Como se fosse um polvo
Envolvendo e sufocando
Eu seus próprios tentáculos.
Aquele vale sombrio e escuro??
Lembra??
Não lembra.
Pouco importa.
Mas o vale ainda continua.
E continuamos assim como esse vale
Estejamos em nosso lugar
Mesmo que não nos sentimos enquadrados
Colocados a ferro e fogo.
Uma marca estampada no couro.
E a pintura do palhaço sorridente,
ainda esconde a tristeza emitente.

sábado, 2 de junho de 2018

Hoje Não

Hoje não venho falar de flores
Tão pouco de odores.
Venho falar de tristezas e mágoas
Daquilo que maltrata.

Revolta insana
Lutas diárias, guerra que engana.
Venho falar do medo que afronta.
Do frio na espinha,
Das manchetes nos jornais.

Venho falar da liberdade explícita
Da luta em vão.
Das noites sem dormir
Na companhia da escuridão.

Não venho falar de flores
Hoje prefiro os rumores.
Grito, luto, caio e levanto.
E você, aí do outro lado
De que lado você está?