Vivo num sonho constante
Um sonho que não tem fim
Buscando coisas
que nunca imaginei buscar.
Os dias já não são
como eram antes,
ou sempre foram os mesmos,
embora,
as vezes insiste em voltar.
Uma chacoalhada, na mente
uma bagunça,
gritos silenciosos
e outra vez, tudo volta ao "normal".
Por um instante
tudo volta como era antes
Nada parece ter mudado,
imagens contorcidas.
E as vozes não param de gritar,
muito menos sei se são reais.
Realmente não quero estar aqui,
esse lugar não é meu.
A realidade que pensava existir,
não existe mais.
Vivo num sonho constante,
dentro desse museu de cera.
sábado, 31 de março de 2018
sábado, 24 de março de 2018
O Dia
Mais um dia
amanhece
Abro a janela do
meu quarto
E deixo o Sol
entrar
Ouço os pássaros
cantando
Pessoas falando
Carros passando.
E mais um dia se
inicia.
Levanto da minha
cama
E ante de mais
nada
Coloco uma musica
para tocar
Aquela musica que
me faz lembrar você
Lembro-me de tudo
que vivemos
Sonhando com tudo
que iremos viver.
E mais um sonho
se inicia.
Muito cedo saio
de casa
O transporte
público não é problemas
Pois a vontade de
vencer é maior
Do que o tédio
Matando um leão
por dia
Vou conquistando
o meu espaço.
E mais uma luta
se inicia.
Inicio da noite
se aproxima
É hora de voltar
para casa
Pessoas no
transporte público cheiram a problemas
Mas eu nem as
sinto em meu fone de ouvidos
Só quero chegar
em casa
E poder estar com
você.
E mais uma noite
se inicia.
sábado, 17 de março de 2018
Estarei Contigo
Por onde eu ande
Encontrarei você
Em qualquer pensamento
Estará você
Na escuridão completa
No imenso brilho do dia
Nos passos, na corrida
No almoço, no jantar
Na terra, na água
Ou no ar.
Não importa aonde estiver
O que estiver fazendo
Aqui estarei contigo
Como o oxigênio que respira
Como o tocar de um telefone
Como o zunido de um inseto
Ou mesmo o rugido de um leão
Sinta-me, tenha-me
Possua-me
Aqui estarei entregue
Desfeito qualquer promessa antiga
De jamais me entregar.
Sinta-me
Assim como o cheiro de uma flor
Tenha-me
Assim como as vogais de uma palavra
Possua-me
Assim como lhe possuo nessas palavras.
sábado, 10 de março de 2018
Deusa da Noite
Andava só,
Sem destino e sem lugar.
Sem propósito,
ou ambições.
Ela surge.
Sinto chegando como uma brisa do mar ou
Como um vendaval devastando meus pensamentos,
sentimentos, dúvidas e medos.
Ela sabe me envolver,
me conduzir, me possuir.
Eu a vejo de uma forma que ninguém mais vê.
Eu a sinto
Eu me entrego.
As noites são envolventes,
quentes.
Não tenho mais o domínio,
Já estou entregue ao seu encanto.
Necessito de sua presença agora,
Em meu cotidiano.
Eu te detesto e amo.
Difícil saber ou sentir o que vem depois
Mas o agora,
o agora é tudo o que quero.
Teu poder, tua magia, teu feitiço.
Sua risada me encanta,
Sua pele me enfeitiça
Teu corpo me seduz
Deusa da noite
Para sempre me conduz.
Sem destino e sem lugar.
Sem propósito,
ou ambições.
Ela surge.
Sinto chegando como uma brisa do mar ou
Como um vendaval devastando meus pensamentos,
sentimentos, dúvidas e medos.
Ela sabe me envolver,
me conduzir, me possuir.
Eu a vejo de uma forma que ninguém mais vê.
Eu a sinto
Eu me entrego.
As noites são envolventes,
quentes.
Não tenho mais o domínio,
Já estou entregue ao seu encanto.
Necessito de sua presença agora,
Em meu cotidiano.
Eu te detesto e amo.
Difícil saber ou sentir o que vem depois
Mas o agora,
o agora é tudo o que quero.
Teu poder, tua magia, teu feitiço.
Sua risada me encanta,
Sua pele me enfeitiça
Teu corpo me seduz
Deusa da noite
Para sempre me conduz.
sábado, 3 de março de 2018
O Piano
Olá, caro leitor.
O que irei compartilhar nas
próximas linhas aconteceu em alguns anos atrás.
Talvez você que esteja lendo
isso, não acredite no que irá testemunhar. Tudo bem, eu até entendo, já que eu
também não acreditaria. Até esse acontecimento.
Pode até ser coincidência, mas se
caso for, seria muita, ao ponto do que irei contar.
Tudo começou a pouco tempo atrás,
quando meu avô resolveu comprar um piano.
Ele sempre tocou muito bem o
instrumento, mas nunca havia conseguido comprar um antes. Tocava nos bares e
festas de pessoas importantes daquela época.
Com toda a felicidade, ele tocava
seu piano todos os dias músicas já conhecidas e também musicas de sua própria
autoria.
Quando havia festas em sua casa,
todos se reuniam em sua sala para ouvi-lo tocar, era lindo o som daquele
instrumento e principalmente, uma canção em especifico que ele compôs, se
tornou praticamente a musica da família, impossível estar na casa e ir embora
sem ouvir essa canção.
Meu avô, muito embora, já de
muita idade, esbanjava saúde, mas devido a problemas financeiros decide vender
seu piano.
Não
demora muito para que aparecesse pessoas interessadas em comprar o piano, mas
ao chegar um senhor de não mais que um metro e setenta de altura, um bigode
admirável, uma bela cartola, despertou uma certa aflição em meu avô.
Esse
senhor chega até o meu avô e lhe faz uma oferta muito inferior ao que estava
sendo proposto na venda, mas parecia que meu avô estava surdo no mento,
enfeitiçado e em êxtase que de imediato aceitou a proposta daquele senhor.
O piano
é levado no mesmo instante e é nesse momento que as coisas começam a ficar
estranhas em nossas vidas e em casa.
Na primeira noite sem o piano, não consigo
dormir, tem algo me incomodando. Achei normal, talvez saudade, já pensando nos
próximos dias que virão sem mais ouvir o som tocado pelo meu avô.
Segunda
noite, durante o sono, sinto como se o tempo parasse em algum momento, não sei
dizer por quanto tempo exato.
Na
noite seguinte começo a ouvir como se houvesse alguém caminhando pela casa, me
levanto, vou até a sala, mas não vejo nada e então volto para a cama.
Já são
quatro noites mal dormidas, já não sei mais o que é real e imaginação, pois,
também estou sem beber e comer desde o inicio de tudo. Novamente ouço passos
pela casa, mas dessa vez não levanto para ver.
Quinta
noite, olho para o relógio, nele marca duas e trinta da madrugada, novamente os
passos e agora o som da caminhada para e logo após alguns minutos, ouço o som
do piano.
Mas
como?
Meu avô
vendeu o piano.
O som
vem da sala, exatamente onde o piano ficava, volto a deitar assim que percebo o
som parar.
Sexta
noite, já não sei mais o que fazer, tudo está estranho e me deixando cada vez
mais louco, o som propaga por toda a casa, mas ninguém ouve.
Sinto
uma presença na sala, algo que não deveria estar ali, mas não há ninguém
comigo, a não ser esse som que não para dentro da minha cabeça.
Sinto a
visão cada vez mais embaçada, em meio a névoa que surge em minha frente,
percebo que há um piano bem no centro da sala e vejo um homem tocando a musica,
a nossa musica, o senhor tocando não tem mais que um metro e setenta de altura,
um bigode admirável, meu avô caído ao lado, no chão, em sua mão esquerda se
encontra uma bela cartola. Puxo uma cadeira, sento-me ao seu lado, me sinto tocado
e possuído pela névoa de alguma forma.
É ele,
o mesmo homem que veio comprar o piano do meu avô aquele dia.
Na
manhã seguinte, vou atrás desse homem e descubro que o mesmo havia morrido
naquela mesma noite em que El esteve aqui em casa.
A causa
da morte?
Ao
subir o piano por uma corda, pelo lado de fora do prédio em que ele morava, ela
arrebenta e cai em cima dele. O homem não sobreviveu e morre no mesmo instante,
o piano se quebra por inteiro, sem ter a chance de reconstruí-lo, meu avô foi
levado ao hospital e se encontra internado até hoje e a única coisa que ele diz
é:
“-Meu
piano!”
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