domingo, 11 de agosto de 2019

Quase Não Dói

O cansaço estremece as pernas
Escorre o suor no canto do rosto
Ninguém consegue perceber seu andar pesado
Tão poucos ouvem o barulho das correntes
Que se arrastam por entre as pedras 
no chão molhado com suas lagrimas
e seu sangue.

Um grito de horror e desespero
Ecoa por todo aquele beco
sujo e frio
misturado entre as baratas e os ratos
Na madrugada se sente menos gente
nos dias se sente nada.

Um nada em busca de abrigo
Um abraço, um sorriso
Tropeçando em mais um copo de álcool
segue procurando o próximo bar aberto
Madrugada e meia
segue pela sombra de alguém que nem conhece

Ali sente-se tão intimo como por anos
nem sabe o nome do bebado sujo
que ao menos por um instante o faz sorrir.
Isso não importa
A verdade é que pelo menos ali
consegue fugir de todo esse mundo insano.

Ele não quer ir embora
sabe que assim que virar as costas
todo o mundo desabará novamente
e lagrimas, suor, correntes
e aquele velho tremor nas pernas
no final,
apenas no fim de tudo
tudo volta como sempre foi.
a realidade é que
sempre será mais do mesmo.