quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O Despertar

Vivo em passos curtos
Não consigo alcançar nenhum objetivo
que as vezes parece estar tão perto
mas insiste em se distanciar.

Já nem sei mais quais palavras usar
já nada mais importa
já também nem sei mais o que sentir
já tão pouco se mais se vale a pena.

Cansado de pés descalço
Minh'alma pede arrego
essa luta já não serei mais o vencedor
E na verdade nem quero mais lutar.

Continuar dançado essa mesma música
já não faz mais sentido algum
danço desajeitado
danço numa música sem retorno.

Quero despertar desse sonho
quero acordar agora mesmo
estar no lugar distante.
ali, aonde nos entraremos.

domingo, 15 de setembro de 2019

O Menino Do Pijama Amarelo

Escorregadio piso do banheiro
Oculto frágil vidro exposto
Abridor de garrafas no crânio
Faca brincando entre as veias
Aquele pijama amarelo.

Dançando entre os carros
Na avenida principal
Sorrateiro tiro na garganta
Lágrimas escondem sorrisos
Aquele pijama amarelo.

Embaixo da roda da carruagem
Sente-se as patas dos cavalos
Suas costelas destroçando
Sangue sai dos ouvidos
Aquele pijama amarelo.

Seus tornozelos sangram
Tal qual pupilas dilatadas
Já nem o reconhece mais
Nem quer se sentir sóbrio.
Aquele pijama amarelo.

E aquele pijama amarelo,
Todos os dias ele vestia
E esse pijama amarelo
Estava sempre vestido
Em todas suas noites
De torturas em sua mente.

domingo, 11 de agosto de 2019

Quase Não Dói

O cansaço estremece as pernas
Escorre o suor no canto do rosto
Ninguém consegue perceber seu andar pesado
Tão poucos ouvem o barulho das correntes
Que se arrastam por entre as pedras 
no chão molhado com suas lagrimas
e seu sangue.

Um grito de horror e desespero
Ecoa por todo aquele beco
sujo e frio
misturado entre as baratas e os ratos
Na madrugada se sente menos gente
nos dias se sente nada.

Um nada em busca de abrigo
Um abraço, um sorriso
Tropeçando em mais um copo de álcool
segue procurando o próximo bar aberto
Madrugada e meia
segue pela sombra de alguém que nem conhece

Ali sente-se tão intimo como por anos
nem sabe o nome do bebado sujo
que ao menos por um instante o faz sorrir.
Isso não importa
A verdade é que pelo menos ali
consegue fugir de todo esse mundo insano.

Ele não quer ir embora
sabe que assim que virar as costas
todo o mundo desabará novamente
e lagrimas, suor, correntes
e aquele velho tremor nas pernas
no final,
apenas no fim de tudo
tudo volta como sempre foi.
a realidade é que
sempre será mais do mesmo.

domingo, 14 de julho de 2019

Loucura

O tropeço do homem no orvalho
Me espalho no espaço e caio
Me encanto no canto e saio
Seus olhos golpeiam como raio.

Sugiro num tamanho imundo
Na pele desejo profundo.
No colo a certeza de um moribundo
Na boca eu me afundo.

Querer o ter a qualquer hora
Nos passos no mundo a fora
Quero o tudo e agora
Você a qualquer momento embora

Seu abraço, meu descanso
Seu sorriso, meu amanso
O que eu quero não me canso
Seu corpo, transo.

Coração fortemente armado
Na cama totalmente dopado
As paredes ecoavam o som alarmado
Por você me sinto amado.

Golpeio com toda a força de meu tormento
Você insiste no tal do casamento
Minha alma, puro arrependimento
Insisto sempre no entretenimento.

Procuro a mais profunda insensatez
Seu suor em minha pele outra vez
Me calo olhando em sua tez
Você me esboça desfaçatez.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Está Próximo

Não me sinto mais o mesmo
Meus pés estão calejados
A forte chuva invade o meu quarto
Já nem sei por anda os passos

Eu só desejo que esse dia passe
Como um desejo insano no banheiro
Pouco importa os seus planos
Os meus já nem mais os conheço

Quanto tempo faz que estou aqui?
Já não consigo mais sorrir.
Você abre a porta em desespero
Não consigo me olhar no espelho.

Insensatez, vertigem, suor
Pesadelos em meio aos lençóis
Tontura, loucura
Uma dosagem da mais pura.

Meus olhos não conseguem mais enxergar
Pouco importa aonde chegar
Só vejo as molduras na parede
Talvez um momento de sede.

O que eu quero ninguém pode dar
Acho que chegou a hora então de parar.
Respiração sufocante,
Puro momento delirante.

sábado, 18 de maio de 2019

Chega

Todo dia passa a ser o mesmo
O mesmo indicio
O mesmo propício
Andar por sobre as pedras
Me parece ser tão doloroso
Não tenho por onde ir

Você passa dia após dia
Tentando ser algo diferente
Inconsciente
Dedos ferventes
Não passa de barulhos na mente

Corro o meu risco
Mas é meu
Corro quantas vezes for necessário
Apenas por continuar assim
Finjo de otário.

Não importa o que eu faça
O que eu diga
O que eu mostre
Fale, gesticule, grite
Aos quatro cantos do mundo continua o mesmo.

O frio intenso na barriga
Sabe que é o mesmo no coração
Turbilhões na mente
Propagam o vasto vazio de meu quarto
É apenas mais uma noite

Nem sei mais o que fazer
Na verdade nem quero mais
No momento só resta fechar as cortinas
E esperar o aplauso do publico
Nessa imensidão de cadeiras vazias.

domingo, 5 de maio de 2019

Enquanto Tiver

Você me aprece numa tarde traquila

Tão tranquila quanto o canto dos passaros

Vejo o brilho de seu olhar

ao tocar de sua pele.


Caminhamos durante a tarde

Num bosque de balanços enferrujados

A escuridão percorre ao nosso redor
Mesmo no brilho itenso desse sol

Todavia estamos juntos
Não importa o tão forte seja o inimigo
Seguiremos de braços dados
Ao encontro dessa escuridão

Estar contigo é tudo que importa
Aos deuses de todas imensidões
Em meus braços você repousa
Quero essa escuridão proxima
Enquanto poder senti-la comigo

Estar nesse impasse de querer ou não
Só espero continuar no brilho de seu olhar


terça-feira, 19 de março de 2019

Noite de Dezembro

Já não fazia mais sentido estar ali
Pouco importa que caminho seguir
Já não bastasse todas lutas
As lágrimas já não existiam mais
Soluçava muitas vezes
Mas nada mais escorria.
Restos de uma noite sem fim
Tudo que sobrava era a música em seu velho gradiente
Até mesmo a bebida já não
Fazia soltar as risadas bêbadas
Nem tão pouco o afetava
A vida lhe passando outra rasteira

Final de uma noite de Dezembro
Povos se preparando e
Se enfeitando para as festas
Mas para ele já não havia mais ânimo
Nem motivo para tal comemoração

Do outro lado do mapa, mal ele sabia,
Também existia outro alguém
Que da mesma forma que ele
Também não estava nada bem.
Final de noite de Dezembro
Uma comunidade em comum
Gostos em comum
E caminhos esbarrados
Um toque de delicadeza
Ele a encontra
Ele meio atordoado pela noite nos bares
Ela com suas obrigações

Final de uma noite de Dezembro
Se despedem ao ponto de aquilo ali
Terminasse sem nem ao menos ter começado
O dia amanhece,
Logo percebe uma necessidade estranha
A necessidade de ir ate aquela moça
A resposta e quase que imediata
E passam todo o dia conversando
E dia após dia iriam se conhecendo
Ali então ele percebe
O quanto sua vida já parecia outra
Aquela simples garota

Sua vida já começava a fazer um sentido
A amizade e companhia diária o fazia bem
Ela se torna presente a cada momento
Cada acontecimento compartilhado
Feliz pelo crescimento diario de sua nova amiga
O torna também crescido

Já não consegue mais se ver
Sem trocar algumas palavras
Os dias incompletos, nebulosos
Tão incrível essência
O carinho, respeito e admiração
Hoje ele não é mais aquele sem rumo
Sem destino e sem sentido
Hoje, ele apenas deita se lembra
E agradece
Por aquele final de noite de Dezembro

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Concerto

Um passo rasteiro
Um silêncio total
Embriaguez da noite
Que nos toma por inteiro.
A sensação da leveza do
Brilho do luar
Ofusca a mente
Bagunça meus pensamentos
Perdido dentro de mim mesmo
Caminho que não tem fim
Estrada infinita que me corrói
Sinto-me pedaços de meu corpo
Jogados pelo caminho
Como se estivesse alimentando pombos
Meu passo rasteiro
Esconde o alvoroço ao redor
Esconder as cinzas debaixo do tapete
Pés calejados
A vida sendo carregada nas costas
O grito mudo para todos ouvirem
Nada ainda.
Na minha estrada
Nesse meu passo rasteiro
Apenas a luz luar me acompanha.
Mas mesmo assim
Apesar de toda bagunça
Vou arrumando outros caminhos
De outros embriagados da noite
Para que pelo menos a estrada desses
Tenham algum sentido no final.